VASCO OLIVEIRA: «GARANTIR A MANUTENÇÃO VALE TANTO COMO UMA SUBIDA»

«Os meus jogadores são uns verdadeiros heróis»

Como surgiu a sua vinda para o SC Rio Tinto e porque voltou a jogar?

Nada foi programado, tudo aconteceu de uma forma natural e genuína, estou a terminar a minha licenciatura em Treino Desportivo de Alto Rendimento e como tal propus ao Presidente ao diretor desportivo e treinador Pedro Ferreira permissão para fazer o meu estágio de final de curso no SC Rio Tinto pois sentia-me melhor e mais motivado se o fizesse num clube em que conhecesse as pessoas.

Nunca pensei que voltaria a jogar mas o facto de ter que marcar presença em todos os treinos por causa do meu estágio levou-me a pensar que poderia também ajudar o clube compensando-o de certa forma pela oportunidade que me estavam a dar em estagiar, por isso mesmo ofereci-me para ajudar de corpo e alma propondo ao treinador voltar a jogar, ao qual aceitou de imediato juntamente com o Presidente e diretor desportivo.

Como era o seu relacionamento com treinador Pedro Ferreira?

A relação que tínhamos era normal, positiva, enquanto jogador dei o meu máximo pelo meu treinador e pela minha equipa, na minha cabeça não existe treinar por treinar tudo que faço é com a máxima intensidade e seriedade, sempre fui assim e quando o treinador me deu oportunidade e precisou de mim contra o Salgueiros dei o meu máximo, honrei a camisola e o emblema que visto ao peito. Quem viu, viu, quem não viu que visse… Foi uma grande noite de futebol e um jogo que ficará na minha memória para sempre.

Como descreve o relacionamento que tinha com os seus colegas de equipa enquanto jogador?

O relacionamento de uma forma geral era positivo, bastante positivo com quase todos, no entanto certos elementos não tinham o comportamento mínimo que se exige para defender as cores de um clube e a esses eu demonstrava a minha discordância, a falta de compromisso era visível e isso a mim sempre me fez confusão, temos de ser leais ao clube que nos paga, temos de ser leais ao treinador que nos contrata, e acima de tudo temos de ser leais uns com os outros e defender até a morte o objetivo a que nos propusemos.

Como surgiu o convite para treinar o SC Rio Tinto?

Após a derrota em casa com o Moura por 1-4 na 2ª eliminatória da Taça Portugal, o treinador saiu, ficamos os dois jogos seguintes sem treinador, o capitão Macieira orientou esses dois jogos até surgir uma solução que acabou mais tarde por recair em mim.

Esta é a fase que me custa um bocado falar mas infelizmente as coisas tem de ser faladas, a nossa equipa estava completamente destruída psicologicamente, fisicamente de rastos e desmotivada. Eu como jogador apenas queria jogar, ganhar e continuar a lutar pelos objetivos do clube, atingir a fase de subida, estava extremamente motivado pelo facto de poder voltar a jogar mas sentia perfeitamente que não iria ser possível da forma como a equipa estava.

Quando sou convidado pelo Presidente e Diretor Desportivo foi-me dito que estrategicamente seria melhor alguém de dentro do que vir alguém de fora, pois a nossa situação exigia que fosse alguém que já estivesse por dentro de todo o processo, não podíamos perder mais tempo e que tendo eu o curso treinador Nível 2 e estando a licenciar-me em treino desportivo seria eu o homem indicado caso estivesse disponível para abraçar esse novo desafio.

Porque aceitou o convite? Quais os objetivos traçados?

Aceitei porque de facto quero ser treinador de futebol, estudei e preparei-me para isso, no entanto havia um grande dilema na minha cabeça, o facto de deixar de jogar estava-me a deixar com uma tristeza profunda, estava apaixonado por poder voltar a jogar, treinar, a sentir aquele ambiente de balneário que só quem jogou sabe o que isso é e a importância que tem na nossa vida.Por outro lado sabia que para se ser treinador temos de ter a oportunidade de treinar um clube e se me estavam a convidar eu só tinha de aceitar e iniciar o meu ciclo como tantos outros treinadores o fazem, mesmo sabendo que ia passar por grandes dificuldades.

Os objetivos foram imediatamente reformulados, a luta pela manutenção passou a ser a nossa única prioridade, esquecendo completamente a utopia e o sonho da fase final.

No futebol os erros de “casting” pagam-se caro e uma má preparação da época pode ser catastrófica na maioria das vezes e neste caso foi sem dúvida alguma.

O que o levou a reformular o plantel? Os jogadores que tinha não lhe davam garantias para lutar pela manutenção?

Como já referi anteriormente, muitos erros de “casting” foram cometidos na escolha de alguns jogadores no início de época.

Para mim enquanto treinador é inconcebível ter um jogador (Djalo) que tenta agredir o Presidente no túnel após a derrota com o Moura para Taça de Portugal, da mesma forma que para mim é inconcebível ter jogadores bêbados durante uma sessão de treino, ter jogadores gordos, ter jogadores que não querem treinar com intensidade, ter jogadores que não podem vir a treinos porque trabalham ou porque não lhe apetece, ter jogadores que gravam chamadas telefónicas com o Presidente para depois o chantagearem, ter jogadores com uma completa falta de compromisso, etc, etc, etc Muito mais poderia eu falar….

Por tudo isto e muito mais é perfeitamente percetível que com os jogadores que tínhamos as garantias eram escassas e nulas para qualquer objetivo traçado, por isso tive que reformular metade do plantel.

Os jogadores que ficaram e os que contratou dão-lhe garantias?

Os jogadores que ficaram e os que se juntaram a nós são uns verdadeiros heróis, nenhuma equipa resiste quando não faz uma pré-época com princípios físicos permanentes no período preparatório, isso não foi feito no início e deveria ter sido feito, é uma luta desleal, tivemos de a fazer em pleno período competitivo com um esforço e uma fadiga redobrada a todos os níveis. A dedicação, compromisso e vontade de salvar o clube de um cenário catastrófico está dentro do coração de cada um deles… Jamais poderão ser esquecidos estes homens!

Alcançar a manutenção neste cenário caótico em que o clube se encontrava, vale tanto como subir de divisão!

Estes jogadores dão-nos garantias absolutas para alcançarmos os objetivos do clube.

Quer deixar alguma mensagem aos Sócios do SC Rio Tinto?

Querer não quero, mas já que estamos aqui podemos sempre deixar algo construtivo direcionado aos Sócios do SC Rio Tinto. É uma tremenda injustiça aquilo que os adeptos do Rio Tinto tem feito com a equipa e com o treinador, insultam, criticam, criam uma onda negativa horrível à volta da equipa. Jogamos em casa mas parece que estamos a jogar fora, é vergonhoso aquilo que se vê nas bancadas, uma falta de respeito pelos nossos jogadores!

Se o motivo desses insultos é a falta de informação sobre as coisas, então agora já sabem de quase tudo, eu não planeei nem planifiquei este projeto, eu fui convidado para resolver o fracasso deste projeto.

Se me quiserem continuar a insultar insultem, mas pelo menos apõem os jogadores do início ao fim, e depois no fim do jogo podem-me insultar à vontade que eu fico para o fim.

Se não gostam de mim porque eu não permito que nenhum jogador bêbado vista a camisola do Rio Tinto, então aceito os vossos insultos.

Se não gostam de mim por não permitir que um jogador que tenta agredir o Presidente vista a camisola do clube, então continuem a insultar.

Se não gostam de mim porque meto os jogadores da formação a jogar garantindo assim o futuro do clube, podem continuar a insultar.

Assustem-se os assustados….

Saudações desportivas a todos os associados.

Como descreve neste momento o clube?

O departamento de futebol sénior está completamente estabilizado, a equipa está a jogar um futebol de qualidade, os miúdos da formação estão lançados, integrados e a jogar, o ambiente é de harmonia e amizade, só lamento que não possam vir juniores treinar com a equipa sénior pois pelos vistos não os deixam vir mesmo depois de termos insistido varias vezes para que o fizessem.

Quanto a mim existe uma peça fundamental e imprescindível no futebol sénior, o nosso diretor desportivo Sr. Serafim, é o nosso “Pai” não deixa que falte nada aos jogadores, oferece prémios de jogo, paga jantares, paga almoços, completamente disponível marcando presença diária em todos os treinos, chega ao ponto de resolver problemas extra futebol dos jogadores. Eu nunca vi tal coisa no futebol, este homem merece uma estátua! Categoricamente posso afirmar que sem ele o Rio Tinto jamais sairia da tempestade que passou neste início de época. Financeiramente e pelo que sei, o Rio Tinto está muito bem organizado e financeiramente recomenda-se.

Os ordenados estão em dia, é sagrado neste clube e por isso é de realçar a gestão diretiva que é praticamente perfeita.

Acha que o SC Rio Tinto tem condições para lutar por uma subida de divisão no futuro?

Eu penso que sim, aliás na época 16/17 quase conseguia esse feito, se não fossem os obstáculos externos e anormais dessa época, o Rio Tinto tinha subido.

Obviamente que se o clube tivesse outro campo sintético ajudaria imenso nesse processo pois o relvado do Rio Tinto muitas vezes é subcarregado com treinos da academia e dos seniores e muitas vezes prejudica o futebol da equipa quando joga em casa.

De uma coisa eu tenho a certeza, com o Sr. Serafim o Rio Tinto pode sonhar bem alto!

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