Oliveira denuncia PSD Gaia e abandona candidatura

António Oliveira desiste da candidatura pelo PSD à Câmara Municipal de Gaia.
O antigo selecionador da Seleção Nacional de futebol foi uma escolha pessoal de Rui Rio. Agora, António Oliveira desiste da candidatura em choque frontal com António Cancela Moura, líder da concelhia do PSD/Gaia.

As sondagens já feitas pelo PS indicavam que António Oliveira já teria 30% dos gaienses do seu lado, sem ainda ter iniciado campanha.

António Oliveira abandona candidatura e denuncia PSD Gaia

Abaixo o comunicado do ex-candidato do PSD à Câmara de Vila Nova de Gaia:

Há sensivelmente três meses, fui convidado pessoalmente pelo Dr. Rui Rio,
presidente do PSD, para ser candidato à Câmara Municipal de Gaia.

Vila Nova de Gaia é a terra onde vivi muitos anos e onde tenho residência.
Onde residem os meus filhos e os meus netos. É a cidade à qual entendi dar o
meu contributo cívico e a minha dedicação pessoal.

O convite do PSD foi algo que muito me honrou. E que, após reflexão
ponderada e face à ausência de quaisquer condições na elaboração do programa
ou das listas concorrentes ao executivo municipal, tive o prazer de aceitar.

Tornei-me militante do PPD – Partido Popular Democrático em 1976, pela mão
do Senhor José Maria Pedroto e sob a liderança de Francisco Sá Carneiro.
Um partido de causas, de valores e de gente séria e decente. Ao longo de 45
anos de militância, participei na vida política sempre como militante de
base, mas nunca precisei do PSD.
Sempre vivi do meu trabalho. Nunca dependi do Partido.

Mas também não sou ingénuo, distraído ou mal-informado. Nunca pensei, porém ,que a política e os partidos, quando se deixam apropriar por alguns, ainda que localmente, pudessem descer a um nível tão baixo e tão miserável.

Ao longo de três meses fui sujeito a pressões, intimidações e ameaças.
Tentaram impor-me o pior da “mercearia partidária” e tentaram envolver-me
nas mais inacreditáveis negociatas de lugares. Enfim, quiseram obrigar-me a
empregar os beneficiários do rendimento mínimo da política.

Não conheço este PSD que, em Gaia, está prisioneiro de quem só lhe faz mal,
para fazer bem a si próprio. Não quis acreditar que fosse possível fazer
política com base nos piores princípios da espécie humana. Mas, aqui, em
Gaia, no meu partido de sempre, é o que se passa.

Ao longo destes três meses, nunca vacilei, nunca negociei e nunca tremi.

Hoje, com vergonha do que vi, com uma imensa dor de alma pelo que senti,
tenho que dizer que: não quero, não posso e não aceito continuar a encabeçar
esta candidatura.

Isto não é uma desistência. Isto é uma questão de higiene. Uma recusa de pôr
os interesses de uns personagens à frente dos interesses dos 300.000
gaienses e pessoas que escolheram este grande concelho para fazer a sua
vida.

Não vou nomear responsáveis, culpados ou traidores. Infelizmente são os
mesmos que já vem a prejudicar o partido há anos demais.

Mas deixo uma palavra ao Dr. Rui Rio, a pessoa que me convidou para o
desafio que abracei com todo o entusiasmo e com a maior das motivações:

Teria sido possível apresentar um excelente projecto para Vila Nova de Gaia,
oferecer uma alternativa de governo aos cidadãos e levar a cabo uma campanha
vencedora. Gaia Merece muito mais do que tem tido com estes executivos
liderados pela atual maioria.

O Dr. Rui Rio não tem culpa do que se passou. Terá sido, como eu fui, uma
vítima do aparelho.
Terá sido, como eu fui, traído por uma máquina que tudo faz por lugares,
cargos e salamaleques.

Quase sem exceção, estamos a falar de gente sem nome, sem mérito e sem
profissão.

Eu não preciso disto para sentir que dou um contributo à sociedade.
Eu não preciso disto para agradecer ao meu país tudo o que ele foi capaz de
me dar.
Eu não preciso desta política. Com certeza encontrarei outros projetos de
participação cidadã, talvez até em Gaia, em que possa saudavelmente ter um
papel pleno e sério.
Preciso muito mais de sentir e de ser fiel aos meus valores.
Preciso muito mais de não transigir na minha dignidade.

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